A nova lógica do “Senhor Cliente”

Rev. Misael

Calabreza é um bom sabor de pizza, mas não para quem pediu por uma napolitana. Frustração, irritação e, em alguns casos, fúria. Fomos desconsiderados e diminuídos em nossas reivindicações. Como clientes exigentes queremos ser atendidos detalhadamente, senão reclamamos, abandonamos o restaurante e até acionamos os órgãos de defesa ao consumidor.

Nosso coração é assim, não gosta de ser contrariado. “O Cliente é o Rei”, dizem. Então, que se aplique essa lógica ao restante da existência. Na vida conjugal “faça-me feliz ou eu troco de cônjuge”, no ambiente acadêmico “mudem as regras das avaliações ou eu mudo de escola” e na vida espiritual “agradem-me ou eu me transfiro de igreja”. Como afirmei no Boletim anterior, é a lógica do mercado, em sua versão evangélica.

Se as coisas continuarem assim, dentro em pouco teremos Santa Ceia entregue por motoboys e pagamento de dízimo pela Internet. Os “clientes” têm cada vez menos tempo, precisam de uma igreja que se adapte a eles e da qual eles migrem ao menor sinal de desagrado, desgaste ou chateação.

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Vídeo da semana: Vim para adorar-te

Com toda a nossa reticências a determinadas estranhezas doutrinárias e práticas do ministério da Ana Paula, recomendamos o cântico a seguir, inquestionavelmente bíblico, belo e edificante.

Consumidores ou adoradores?

Rev. Misael

O universo empresarial é governado pela competitividade. Sobrevivem os que se adequam às orientações do mercado. “Conquiste clientes ou morra”— eis o lema dos empreendedores vitoriosos. Tal orientação tem sido assumida por diversos tipos de organizações. Para as entidades filantrópicas é preciso estimular os mantenedores; órgãos governamentais querem agradar ao contribuinte e partidos políticos investem em fidelizar seus afiliados em um contexto de muita concorrência.

A igreja começa a reproduzir este modelo. Hoje somos um mercado. Basta trocar a palavra “cliente” por “membro” e, no fim das contas, pastores se tornam executivos e as atividades das igrejas, estratégias para aumentar suas “fatias” no segmento dos crentes. Isso tanto é assim que não se estranha o fato de produtoras tradicionalmente ligadas à música não-cristã bancarem gravações de bandas gospel, nem ainda a proliferação de revistas ditas evangélicas que vendem pregações e palestras de pastores que praticam marketing de guerrilha no afã de divulgarem os produtos de seus “ministérios”.

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Como estudar a Bíblia

Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai celeste. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará (Mt 6.1, 6).

Estamos aprendendo sobre vida devocional, a partir da constatação de que cristianismo é vida com Deus. A fé cristã não diz respeito, primariamente, a crer intelectualmente em determinadas doutrinas. Ser cristão não é simplesmente participar de cerimônias religiosas ou assumir uma reforma moral. Nem mesmo é, essencialmente, participar de uma comunidade. Todas essas coisas podem ser providas por falsas religiões ou associações meramente humanas. O cristianismo tem a ver com uma revelação de Deus e um chamado específico, tal como verificamos na vocação de Abraão, registrada em Gn 17.1: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda na minha presença e sê perfeito”.

De modo mais claro ainda, o cristianismo declara que começamos a andar com Deus quando conhecemos a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas. Como cantamos hoje, no Hino 209:

Deixe a luz do céu entrar
Deixa o sol em ti nascer
Abre o coração, que Cristo vai entrar,
E o sol em ti nascer.

Eis o ponto inicial, a porta de entrada ao cristianismo: Cristo em nossos corações, ou, como afirmou o apóstolo Paulo: “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).

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